O meningioma é um tumor que se desenvolve nas meninges, membranas que revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Embora não se origine diretamente do tecido cerebral, pode comprimir estruturas neurológicas importantes à medida que cresce.
Grande parte dos meningiomas apresenta crescimento lento e comportamento menos agressivo. No entanto, tamanho, localização, velocidade de crescimento e proximidade de nervos, vasos sanguíneos ou áreas funcionais do cérebro podem tornar o tratamento mais complexo. Por isso, a conduta deve ser definida individualmente, podendo variar desde o acompanhamento com exames até cirurgia, radiocirurgia ou radioterapia. National Cancer Institute
O que é um meningioma?
As meninges são formadas por camadas de tecido que envolvem o sistema nervoso central. O meningioma surge a partir de células relacionadas a essas membranas e pode aparecer em diferentes regiões do crânio ou, menos frequentemente, ao redor da medula espinhal.
Entre as localizações possíveis estão:
superfície cerebral, conhecida como convexidade;
região da foice cerebral;
proximidade dos seios venosos;
base do crânio;
região das órbitas;
área próxima aos nervos ópticos;
ângulo pontocerebelar;
região posterior do crânio;
canal vertebral.
A localização influencia os sintomas, a possibilidade de retirada cirúrgica e os riscos envolvidos no tratamento.
Mesmo um meningioma classificado como de baixo grau pode causar alterações importantes quando comprime áreas responsáveis pela visão, audição, linguagem, movimentos, memória ou comportamento. Portanto, o termo “benigno” não significa que o tumor deva ser ignorado.
Quais são os sintomas do meningioma?
Alguns meningiomas são descobertos por acaso durante uma ressonância magnética ou tomografia realizada por outro motivo. Nesses casos, o paciente pode não apresentar sintomas.
Quando existem manifestações clínicas, elas costumam depender da localização e do tamanho do tumor. Como muitos meningiomas crescem lentamente, os sintomas também podem surgir de maneira progressiva.
Os principais sinais possíveis incluem:
dor de cabeça persistente ou que mudou de padrão;
crises convulsivas;
fraqueza ou perda de sensibilidade em um lado do corpo;
dificuldades para caminhar ou manter o equilíbrio;
alterações na visão, como visão dupla ou perda parcial do campo visual;
redução da audição ou zumbido;
perda do olfato;
dificuldades de memória e concentração;
alterações de personalidade ou comportamento;
dificuldade para falar ou compreender palavras;
náuseas, vômitos ou sonolência relacionados ao aumento da pressão intracraniana;
dor, perda de força ou alterações sensitivas quando o tumor está localizado na coluna.
Esses sintomas também podem ocorrer em diversas outras condições. A presença de dor de cabeça isolada, por exemplo, não confirma um tumor cerebral. A investigação médica é necessária para identificar a causa.
Uma primeira crise convulsiva, perda súbita de força, alteração importante da consciência ou piora neurológica rápida exige atendimento médico imediato.
O que causa um meningioma?
Na maioria dos pacientes, não é possível identificar uma causa única para o desenvolvimento do meningioma.
Alguns fatores estão associados a um risco maior, como exposição prévia à radiação ionizante, especialmente durante a infância, e determinadas condições genéticas, entre elas a neurofibromatose tipo 2.
Também existem estudos sobre a influência hormonal no desenvolvimento de alguns meningiomas. Entretanto, essa relação é complexa e não permite concluir, isoladamente, que o uso de um medicamento hormonal tenha causado o tumor. Pacientes com diagnóstico de meningioma devem discutir seus medicamentos com os profissionais responsáveis antes de interromper qualquer tratamento.
Graus do meningioma
A classificação definitiva depende da análise do tecido tumoral por um neuropatologista. Os meningiomas são divididos em três graus principais:
Meningioma grau 1
É o tipo mais frequente e geralmente apresenta crescimento mais lento. Muitos pacientes podem ser acompanhados por longos períodos, especialmente quando o tumor é pequeno e assintomático.
Meningioma grau 2
Também chamado de meningioma atípico, apresenta maior atividade celular e risco mais elevado de crescimento ou recorrência. Pode exigir acompanhamento mais próximo e, em determinadas situações, tratamento complementar após a cirurgia.
Meningioma grau 3
É uma forma mais rara e agressiva, com maior possibilidade de invasão dos tecidos próximos e recorrência. Normalmente requer tratamento combinado, envolvendo cirurgia e radioterapia, além de acompanhamento neuro-oncológico.
A classificação atual considera características microscópicas e, em situações específicas, alterações moleculares do tumor. A imagem pode levantar suspeitas sobre o comportamento do meningioma, mas o grau somente pode ser confirmado por meio da análise do tecido. Classificação da OMS para tumores do sistema nervoso central
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa com a avaliação dos sintomas, histórico clínico e exame neurológico. Dependendo da localização do tumor, também podem ser necessários exames da visão, audição, equilíbrio ou função hormonal.
Ressonância magnética
A ressonância magnética do encéfalo com contraste é o principal exame para avaliar um possível meningioma. Ela permite identificar:
tamanho e localização;
relação com o cérebro e os nervos cranianos;
proximidade de artérias e veias;
presença de edema ao redor do tumor;
possível invasão de estruturas próximas;
crescimento em comparação com exames anteriores.
Tomografia computadorizada
A tomografia pode complementar a investigação, principalmente para avaliar calcificações, alterações ósseas e o envolvimento da base do crânio.
Angiografia cerebral
Pode ser indicada em tumores muito vascularizados ou próximos a vasos importantes. O exame ajuda a demonstrar quais artérias alimentam o meningioma e pode fazer parte do planejamento de uma eventual embolização.
Exames complementares
A localização do tumor pode justificar avaliações específicas, como:
exame de campo visual;
testes auditivos;
avaliação otoneurológica;
exames hormonais;
estudo neuropsicológico;
exames da coluna, quando há suspeita de meningioma espinhal.
Análise anatomopatológica
Quando o tumor é removido total ou parcialmente, o tecido é encaminhado para análise. Esse estudo confirma o diagnóstico, define o grau e fornece informações importantes para planejar o acompanhamento e possíveis tratamentos complementares.
Todo meningioma precisa ser tratado?
Nem todo meningioma precisa de cirurgia imediata. Pequenos tumores descobertos acidentalmente, sem sintomas e sem sinais de crescimento podem ser acompanhados com consultas e exames periódicos.
A definição da conduta considera:
idade e condições gerais de saúde;
presença e intensidade dos sintomas;
tamanho do tumor;
localização;
velocidade de crescimento;
edema ao redor do meningioma;
proximidade de nervos, vasos e áreas funcionais;
suspeita de comportamento mais agressivo;
riscos de cada tratamento;
preferências do paciente.
Não existe um tamanho único a partir do qual todos os meningiomas devam ser operados. Um tumor pequeno em uma região crítica pode exigir atenção especial, enquanto outro maior e assintomático pode, em determinadas circunstâncias, ser inicialmente acompanhado.
Tratamentos para meningioma
Acompanhamento com exames
A observação, também chamada de vigilância ativa, pode ser recomendada para meningiomas pequenos, assintomáticos e sem crescimento significativo.
O acompanhamento costuma ser realizado com ressonâncias magnéticas periódicas. O intervalo entre os exames é definido individualmente e pode ser ajustado conforme a estabilidade ou eventual crescimento do tumor.
A indicação de acompanhamento não significa ausência de cuidado. O objetivo é evitar um procedimento desnecessário sem deixar de observar mudanças que possam exigir tratamento.
Cirurgia para meningioma
A cirurgia é frequentemente considerada quando o tumor:
causa sintomas neurológicos;
apresenta crescimento documentado;
provoca compressão do cérebro, medula ou nervos cranianos;
causa edema significativo;
ameaça a visão ou outras funções;
apresenta diagnóstico duvidoso;
possui características sugestivas de maior agressividade.
O objetivo é remover a maior quantidade possível do tumor com preservação das funções neurológicas. A retirada completa pode não ser segura quando o meningioma envolve artérias, veias, nervos cranianos ou áreas cerebrais importantes.
Nessas situações, preservar a função pode ser mais importante do que buscar uma remoção total. Uma pequena parte do tumor pode ser mantida e posteriormente acompanhada ou tratada com radiocirurgia ou radioterapia.
Cirurgia minimamente invasiva para meningioma
As técnicas minimamente invasivas buscam utilizar acessos menores e trajetos cirúrgicos planejados para reduzir a exposição de tecidos saudáveis. Isso não significa que sejam procedimentos simples ou isentos de riscos.
A possibilidade de utilizar uma dessas técnicas depende da localização, formato, tamanho, vascularização e relação do tumor com as estruturas neurológicas.
Craniotomia por acesso reduzido ou keyhole
A cirurgia keyhole utiliza uma abertura menor e estrategicamente posicionada no crânio. Com auxílio de microscópio, endoscópio e neuronavegação, o neurocirurgião pode alcançar determinados tumores por um corredor mais direto.
Pode ser considerada para meningiomas selecionados da convexidade, região frontal, base do crânio ou proximidades da sobrancelha. A menor abertura não determina, sozinha, a segurança do procedimento. A escolha precisa proporcionar visualização e controle adequados de nervos e vasos sanguíneos.
Cirurgia endoscópica endonasal
Em meningiomas selecionados da base anterior e central do crânio, o acesso pode ser realizado pelas cavidades nasais com auxílio de um endoscópio.
Essa técnica evita uma incisão externa e pode oferecer um trajeto direto para determinados tumores localizados abaixo do cérebro. Entretanto, não é indicada para todos os meningiomas da base do crânio e apresenta riscos específicos, como vazamento de líquido cefalorraquidiano, infecção, alterações hormonais, lesões vasculares ou comprometimento da visão.
Cirurgia endoscópica assistida
O endoscópio também pode ser usado em conjunto com o microscópio durante acessos tradicionais ou reduzidos. Ele permite observar regiões que poderiam permanecer escondidas atrás de nervos, vasos ou saliências ósseas.
Cirurgia minimamente invasiva da coluna
Em alguns meningiomas espinhais, acessos menores e instrumentos tubulares podem reduzir a dissecção muscular. A indicação depende da posição do tumor dentro do canal vertebral e de sua relação com a medula e as raízes nervosas.
Estudos apontam que abordagens keyhole e endoscópicas podem ser úteis em pacientes cuidadosamente selecionados, mas a escolha deve respeitar os limites anatômicos e os objetivos de segurança da cirurgia. Estudo sobre abordagens minimamente invasivas para meningiomas
Tecnologias utilizadas no planejamento cirúrgico
Diferentes recursos podem auxiliar a equipe durante a cirurgia:
neuronavegação para orientar a localização e o trajeto;
microscopia cirúrgica;
endoscopia;
monitorização neurofisiológica;
planejamento vascular;
reconstruções tridimensionais;
exames de imagem realizados durante ou após o procedimento.
Essas tecnologias não substituem a avaliação clínica nem tornam toda cirurgia minimamente invasiva. Elas são escolhidas conforme as características de cada caso.
Radiocirurgia para meningioma
A radiocirurgia estereotáxica utiliza feixes de radiação direcionados com alta precisão ao tumor. Apesar do nome, não envolve corte ou abertura do crânio.
Pode ser considerada para:
meningiomas pequenos ou de tamanho intermediário;
tumores residuais após cirurgia;
recorrências;
lesões localizadas em áreas de elevado risco cirúrgico;
pacientes que não apresentam condições clínicas para uma operação.
O objetivo costuma ser controlar o crescimento, e não retirar imediatamente o meningioma. O tumor pode permanecer visível nos exames mesmo quando o tratamento foi eficaz.
Tumores grandes, com edema importante ou muito próximos de estruturas sensíveis podem não ser adequados para uma aplicação única.
Radioterapia fracionada
Na radioterapia fracionada, a dose é dividida em várias sessões. Essa opção pode ser utilizada quando o tumor está próximo aos nervos ópticos ou a outras estruturas que precisam ser protegidas.
Também pode fazer parte do tratamento de meningiomas grau 2 ou 3, tumores residuais, recorrentes ou que não podem ser removidos com segurança.
A indicação de radioterapia após uma cirurgia depende do grau, extensão da retirada, localização, características biológicas e risco estimado de recorrência. Esses princípios estão descritos nas recomendações da European Association of Neuro-Oncology.
Embolização do meningioma
Alguns meningiomas recebem grande quantidade de sangue por artérias específicas. Em casos selecionados, pode ser realizada uma embolização antes da cirurgia.
O procedimento é feito por cateterismo e busca reduzir o fluxo sanguíneo para o tumor. Isso pode facilitar determinadas etapas da operação e diminuir o sangramento em situações específicas.
A embolização não é necessária para todos os meningiomas e, na maioria das vezes, não representa o tratamento definitivo. A decisão depende da anatomia vascular e dos riscos de comprometer artérias que também irrigam nervos, cérebro ou olhos.
Medicamentos
Não existe um medicamento capaz de eliminar a maioria dos meningiomas de forma rotineira. As medicações podem ser utilizadas para controlar manifestações relacionadas ao tumor, como:
corticoides para reduzir edema em situações específicas;
anticonvulsivantes para pacientes que apresentaram crises;
analgésicos e outros tratamentos sintomáticos.
Para meningiomas agressivos ou recorrentes sem possibilidade de controle com cirurgia e radioterapia, terapias sistêmicas podem ser discutidas em centros especializados ou dentro de estudos clínicos.
Recuperação e acompanhamento
Após a cirurgia, o tempo de recuperação varia conforme o acesso utilizado, localização do tumor, extensão do procedimento e estado neurológico anterior.
O acompanhamento pode incluir:
ressonância magnética pós-operatória;
avaliação do resultado anatomopatológico;
controle de crises convulsivas;
acompanhamento da visão ou audição;
fisioterapia;
fonoaudiologia;
terapia ocupacional;
reabilitação neuropsicológica.
Mesmo após a retirada completa, exames periódicos podem ser necessários. O intervalo e a duração do acompanhamento dependem do grau do meningioma e do risco de recorrência.
Quais são os riscos do tratamento?
Os riscos variam de acordo com a localização do tumor e a modalidade escolhida.
Na cirurgia, podem ocorrer sangramento, infecção, vazamento de líquido cefalorraquidiano, crises convulsivas, trombose, déficits neurológicos e alterações relacionadas aos nervos cranianos. Em meningiomas da base do crânio, podem existir riscos específicos para visão, audição, movimentos dos olhos, sensibilidade facial e deglutição.
Radiocirurgia e radioterapia também podem causar efeitos adversos, como edema, fadiga, irritação da pele, queda localizada de cabelo e alterações tardias dos tecidos próximos.
Esses riscos precisam ser comparados aos possíveis efeitos do crescimento tumoral. A melhor opção não é necessariamente a técnica com a menor incisão, mas aquela que oferece equilíbrio adequado entre controle da doença e preservação funcional.
O meningioma pode voltar?
Sim. A possibilidade de recorrência depende principalmente do grau, localização, extensão da retirada e características biológicas do tumor.
Meningiomas grau 1 apresentam, em geral, menor risco de recorrência. Os graus 2 e 3 exigem vigilância mais próxima e podem demandar tratamento complementar.
A presença de tumor residual não significa obrigatoriamente progressão imediata. Alguns resíduos permanecem estáveis por anos, enquanto outros podem crescer e exigir nova intervenção.
Quando procurar avaliação especializada?
A avaliação neurocirúrgica é recomendada quando um exame identifica uma lesão sugestiva de meningioma, mesmo que não existam sintomas. A consulta permite revisar as imagens, avaliar riscos, comparar possibilidades de tratamento e definir o acompanhamento adequado.
O planejamento pode envolver neurocirurgia, neurorradiologia, neuropatologia, radioterapia, neurologia, oncologia e profissionais de reabilitação, conforme a complexidade do caso.
Cada meningioma apresenta características próprias. A indicação entre observação, cirurgia convencional, técnica minimamente invasiva, radiocirurgia ou radioterapia deve ser definida após análise clínica e detalhada dos exames.
Perguntas frequentes sobre meningioma
Meningioma é câncer?
A maioria dos meningiomas é classificada como grau 1 e apresenta comportamento menos agressivo. Os meningiomas grau 2 possuem maior risco de recorrência, enquanto os de grau 3 são considerados malignos.
Todo meningioma precisa de cirurgia?
Não. Tumores pequenos, assintomáticos e estáveis podem ser acompanhados com ressonâncias periódicas.
O meningioma pode desaparecer sozinho?
O desaparecimento espontâneo não é o comportamento esperado. Alguns tumores podem permanecer estáveis por longos períodos sem necessidade de intervenção.
A cirurgia minimamente invasiva serve para qualquer meningioma?
Não. A indicação depende da localização, tamanho, formato, vascularização e relação com estruturas neurológicas. Em alguns casos, uma abertura maior oferece maior segurança e controle cirúrgico.
A radiocirurgia remove o tumor?
Não imediatamente. Seu principal objetivo é interromper ou reduzir o crescimento. O meningioma pode continuar visível nos exames de acompanhamento.
É possível tratar um meningioma sem abrir o crânio?
Em situações selecionadas, podem ser utilizadas radiocirurgia ou cirurgia endoscópica endonasal. Entretanto, essas técnicas não são adequadas para todos os tumores.
Qual é o melhor tratamento para meningioma?
Não existe uma única modalidade indicada para todos. O tratamento depende dos sintomas, localização, crescimento, grau, condições clínicas e riscos específicos de cada abordagem.
